"E, quando quiseres, podes vir colher sorrisos dentro do quintal da minha alma."
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, fevereiro 13, 2012



Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita
Não há quem não feche os olhos ao beijar,
 não há quem não feche os olhos ao abraçar.
 Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. 
É ali que a vida entra e perdura,
 naquela escuridão mínima,
 no avesso das pálpebras.
 Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
 O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. 
Os cílios se mexem como pedais da memória. 
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. 
Viver é boiar, recordar é nadar.

 Fabrício Carpinejar

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