"E, quando quiseres, podes vir colher sorrisos dentro do quintal da minha alma."
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, maio 30, 2012



Aí então eu descobri que tudo me faz lembrar você.
Copos d'água, carros grandes e escadas, faixas de pedestres, mesas de sinuca, coca-cola, qualquer música que eu ouvir. Portões de ferro, ônibus, desenhos animados e brincadeiras de criança. Comida bem feita, cinema, sentar no sofá, escovar os dentes, bocejar e lavar a louça. Chocolate, cigarro, roupa social, mochilas, pizzarias e celulares, aviões, cabelos bagunçados e guerra de travesseiros com cócegas.
E quando eu lembro de você, minha primeira reação é sempre a mesma.
Sorrir.

Gabriela Ern

terça-feira, maio 29, 2012


Que Deus me proteja de gente má, cruel, invejosa. 
Mas, principalmente, de gente sem graça, sem sal, sem veneno, sem beleza e sem loucura.
 
 
Tati Bernardi



Um dia ainda me aquieto cabendo em alguém...

Ziris




Felicidade aqui pode passar e ouvir;
E se ela for de samba;
Há de querer ficar

Chico Buarque

segunda-feira, maio 28, 2012


Não sei por que, sorri de repentee um gosto de estrela me veio na boca
Eu penso em ti,
 em Deus,
 nas voltas inumeráveis que fazem os caminhos…
 Em Deus, 
em ti
de novo… 
Tua ternura tão simples. 
Eu queria, não sei por que, sair correndo descalço pela noite imensa.

Mário Quintana.


Era engraçado porque,
 toda vez que ela me fazia sorrir ou rir, 
eu sentia uma vontade incontrolável de explicar pra ela o quanto eu a amava.

domingo, maio 27, 2012



Ele: Precisamos conversar.
Ela: Porque? O que houve?
Ele: Eu não quero mais namorar com você.
Ela: (segurando as lágrimas, faz silêncio)
Ele: Então, casa comigo?

Michie Logan

quinta-feira, maio 24, 2012


Ele tem uma mania chata de me fazer querê-lo cada vez mais. De sorrir e me desarmar, quando a única coisa que eu quero é ficar emburrada só para ele me mimar um pouquinho mais. Ele tem uma mania chata de tornar minhas, as manias dele. E me fazer sorrir feito boba quando lembro de algum momento que passei ao lado dele. Ele tem uma mania chata de ser doce, insuportavelmente doce. De tornar os meus sonhos reais. De cuidar tão bem de mim, que cada vez mais eu quero ser cuidada. Ele tem uma mania chata de me abraçar forte, apertado, grudado e não querer soltar. De achar graça nas minhas brincadeiras, ou de alguma coisa boba que eu falo, sem querer. Ele tem uma mania chata de me entender como ninguém. De me fazer acreditar, cada vez mais, no quanto fomos feitos um para o outro. Ele tem uma mania chata de saber exatamente o que eu tô pensando apenas por me olhar. De ouvir minha voz e saber se eu tô bem ou não. Ele tem uma mania chata de me preparar surpresas. E me fazer gostar das mesmas. Ele tem uma mania chata de me fazer esperá-lo por horas e querer matá-lo. E quando chega, a única vontade que eu tenho é de enchê-lo de beijos e mais beijos e abraços e carinhos e tudo que o agrada. Ele tem uma mania chata de ser ele. De ser quem eu quero e preciso… Para sempre.



Você é lindo.
Você é lindo arrumado ou mais descolado. 
Você é lindo em pé, deitado, sentado, fazendo o pino, de peito arqueado, de pernas estendidas, de cabelo em pé ou no lugar, com a barriga encolhida.
 Você é lindo sorrindo, ou mais emburrado, você é lindo triste, você é lindo feliz, você é lindo bêbado, você é lindo mesmo quando sem paciência, você é lindo mesmo quando preguiçoso. 
Você é lindo burro, inteligente, com sono, agitado. 
Você é lindo mesmo com aquela blusa escrota que eu falei que ficava horrível em você.
 Você é lindo assistindo televisão e com duas ou três cervejas do lado ou concentrado naquele trabalho que você tem que entregar urgentemente. 
Você é lindo transando, você é lindo quando sente prazer, você é lindo cansado. 
Você é lindo de toda e qualquer forma possível e eu só sei pensar em como isso me deixa feliz.

De ontem em diante serei o que sou no instante agora. Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa, sem a ideia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas separadas pelo canto de um galo velho, eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho do versículo e da profecia. 
Quem surgiu primeiro?
 O antes, o outrora, a noite ou o dia? 
Minha vida inteira é meu dia inteiro. Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! 
Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho Maria!
 Minha mamadeira de leite em pó, é cerveja gelada na padaria. 
Meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira!
E se antes um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira.
E da fruta tiro a polpa…
 Da puta tiro a roupa.
 E da luta não me retiro me atiro do alto e que me atirem no peito.
 Da luta não me retiro…
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.

O Teatro Mágico


Vem manso e me encontrarás louca.
 Vem louco e me encontrarás pronta.
 Vem, da forma que for, que encontrarás.
 Tua. 
Sempre tua.

Bibiana Benites



Sinto tanto a sua falta, que chega a doer.

Querido John

terça-feira, maio 22, 2012


Eu não te ligo, você me faz chá de camomila. 
Eu choro me sentindo presa, você me mostra que amar é liberdade. 
Eu tenho insônia, você me conta histórias... De nós dois, de como nos conhecemos
 (acho que no fundo você só quer me lembrar do que a gente tem — que é especial.)
 Eu não vou ao seu encontro, você vem ao meu.
 Eu te ignoro, você me sorri.
 Eu quero festa, você calmaria 
(mas você acaba querendo festa só por causa de mim.) 
Eu faço cena, você me acalma.
 Eu não te quero, você entende. 
E se eu te quero é você quem vem.
  Eu deito do lado esquerdo da cama, você do direito.
 Eu leio Clarice, você Manoel de Barros.
 Eu complico, você não vê por quê.

Noemyr Gonçalves


Tua presença traduz sensação de bem-querer, aconchego, lugar bom de morar
Entre braços e abraços, te encontro ao meu lado
Entre carinhos e afetos você se manifesta pra mim. 
Entre palavras e canções
você é melodia bonita.

Bibiana Benites


Eu só caibo em ti, moço. 
No teu abraço. No teu sorriso. 

Bibiana Benites

sábado, maio 19, 2012

quarta-feira, maio 16, 2012

Jogado, descabelado, na rede. 
E você ainda é o homem mais lindo do mundo. 
No canto da foto dos amigos bêbados, 
e você é o homem mais lindo do mundo.
 Com gorro, no meio da confusão do frio.
 Escondido embaixo de tanta roupa.
 No fundo do mar.
 No escuro. 
De costas naquela festa chata.
 Meu Deus, como você é lindo.

Tati Bernardi.

terça-feira, maio 15, 2012

segunda-feira, maio 14, 2012

“Eu não gostava de café com gelo, 
Guitar Hero 
ou Anna Julia,
 juro. 
Aí eu comecei a gostar de números pares."

          Às vezes eu saía pra caminhar no parque e ficava observando. Observava a senhora sentada no banco de madeira dando comida aos passarinhos, bem coisa de filme mesmo. Observava o cara gordo sentado do lado da senhora que pensava que conseguia disfarçar a direção do olhar tapando a cara com um jornal velho da semana passada. Mas todo mundo sabia que ele, na verdade, estava olhando as pernas da loira gostosa que ia todos os dias àquela mesma hora correr naquele parque com um rabo de cavalo no topo da cabeça, um shorts mais curto que o comprimento da palma da mão e sempre com fones de ouvido e música no volume máximo. Ela, ironicamente, tinha cara de quem curtia, sei lá, Maroon 5, RHCP, e se brincar até Beatles.
         Tinha o meu vizinho metódico e pontual fixado que acordava todos os dias às exatas 7:14 da manhã pra passear com aquele cachorro gordo esquisito que ele chama de Brutus. Acho que é um buldogue, tanto faz. 
          Nunca parei pra prestar atenção nas classificações das coisas. Pra falar a verdade, muitas especificações me irritam.
         Voltando ao meu vizinho do cabelo penteado e mais encharcado de gel que o próprio pote: é, 7:14. Não 7:15, 7:14 mesmo. 
         Ele nunca tem nada marcado em horas com minutos ímpares. Sem pegadinha, passei quase um mês tentando flagrar um atraso ou avanço de um minuto que fosse no toque do despertador desse cara. PÉÉN, falha. Não aconteceu. 
         Aquela maldita musiquinha de elevador toca todos os dias às exatas 7:14 e eu não consigo acordar um minuto mais tarde há 4 meses, desde que me mudei pra cá. A mulher dele me traz biscoitos todas as quartas-feiras às pontuais 18:15 da tarde como pagamento pra eu ficar de olho em quem entra e sai do apartamento de cima, onde eles moram.
          Só pra esclarecer, ela tem fobia à compromissos em horas com minutos pares.
          É, eu sei.
         Talvez seja só coincidência, ou talvez os clichês sejam válidos e os opostos se atraiam e se completem mesmo. 
         Sei lá.
         Como disse, não gosto de especificações, ditados, leis de newton, leis de sobrevivência ou qualquer coisa estabelecida. Nada que não mude
         Aí então a mulher gorda pontual do meu vizinho de cabelo duro brilhoso esquisito e pontual resolveu mudar as coisas um pouco. Eu passei a gostar dela depois disso. E passei a gostar de Los Hermanos e de jogar Guitar Hero com a filha dela. E passei a gostar da filha dela. Mas isso veio depois.

         Quarta-Feira, 9 de Outubro, 18:20 exatamente. Quatro batidas na porta. Primeiro fato escandalosamente anormal: 18:20. Seis horas e vinte minutos da tarde. V-i-n-t-e minutos. Segundo fato escandalosamente anormal: Quatro batidas na porta. Achei mesmo estranho e, involuntariamente, fiquei esperando pela quinta. Nada. Quatro batidas. Nem meia a mais. Nem 0,7 a mais. Quatro. 1, 2, 3, 4. Beleza, já deu pra entender, né? Quatro batidas. 
          Levantei do sofá vermelho onde tinha passado a manhã afundado. Vista pra escada de acesso ao apê de cima. Sacaram a estratégia, né? Eu realmente gostava dos biscoitos. Mas eu nunca entendi qual a finalidade de se colocar uma janela com vista pra dentro do prédio. Beleza, sem discussões. Abri a porta. BÁ! 
          Eu juro que quase caí pra trás.
          Ruiva, branquinha, pequenininha, olhos verdes e dedos finos. Unhas com um esmalte descascado num tom que me parecia renda ou qualquer coisa assim. Esmalte cor de unha. 
Oi.” — droga, fiz merda. Fiz merda, fiz mer — “Oi…” “Quer alguma coisa?” “Na verdade, minha mãe me pediu pra te trazer uns biscoitos e perguntar se alguma…como é que ela diz mesmo? Se alguma promís…” “Se alguma promíscua subiu as escadas hoje?” “É, isso aí mesmo.” “Pode dizer que não… Mas diz que uma ruivinha desceu aqui e quase me fez cuspir refrigerante quando eu abri a porta.” — Que merda eu tava fazendo? Sério. — “Como?” “Nada, não. Pode dizer que não subiu ninguém.” “Não… eu ouvi o que tu disse.” — Droga. — “Hm…Tá a fim de entrar?” “O quê?” “Tomar alguma coisa, sei lá. Ver um filme.” “(Risos) Não, valeu. Quem sabe outro dia. Tenho que levar o Brutus pra passear agora.” — Eu juro que nunca ouvi um risinho tão agudo que não fosse irritante. — “Às 18:31 da tarde?” “É, uai… Por quê?” “dezoito e trinta e um da tarde?” “Sim, senhor. Algum problema?” “Não, nada…Só achei que ele gostava mais de passear de manhã.” “Ele não gosta de nada, eu é que gosto de andar à tarde.” “Ah, entendi.” “Até.” “Só uma pergunta…” “Fala.” “Você vai me trazer os biscoitos a partir de agora?” “Se você quiser.” “Sem problemas.” — Abri um sorriso amarelo meio torto e me senti o maior idiota do mundo quando, pela primeira vez, me preocupei com essa coisa de espinafre entre os dentes. Eu não comia espinafre há o quê? 19 anos? Desde que eu comecei a escolher o que comer. Foi instinto, sei lá.
           Uma semana depois, Quarta-Feira, 16 de Outubro, 17:50 da tarde. Eu não conseguia parar de checar o relógio. Resolvi pegar um livro. Folheei umas páginas, li umas duas ou três frases e me lembrei que nem tinha prestado atenção no nome do livro. “Não Conte a Ninguém”, dum cara chamado Harlan Coben. Resolvi ler a sinopse. Li no máximo umas seis linhas antes da primeira batida na porta. Quatro batidas. Levantei da poltrona num pulo, larguei o livro que caiu no chão e sei lá mais o que eu derrubei. Tropecei nos meus próprios pés umas quantas vezes até chegar à porta. Me apoiei na maçaneta e não consegui puxar a porta sem fazer um barulho estrondoso que entregasse meu nervosismo. 
         Tô nem aí. 
         “Oi de novo” “De novo — Ela não parava de sorrir. Pensei que talvez tivesse gostado de mim. Tomara — er…cheguei em hora errada?” “Hora errada?” “É, sei lá.” “Não, não…chegou na hora de entrar.” Ela riu de novo. Que diabos tu quer comigo, guria? Vai parar com isso não? Já tá virando sacanagem. “Vou parecer muito oferecida se aceitar o convite?” “Não mais do que eu quero que seja.” — Dessa vez eu ri também. Foi uma sensação esquisita ela ter gostado da piada. “Onde é que eu coloco isso aqui?” “Deixa no braço da poltrona mesmo. A gente vai acabar comendo durante a conversa.” “Ah, é? E vamos conversar sobre o quê?” “Sei lá, uai.” Eu juro que fiquei olhando pra ela por uns cinco minutos até que resolvi me pronunciar. O silêncio tava me matando. “Aceita, sei lá, um refrigerante?” “Não tomo refrigerante…” “Chá? Café? Água?” “Café, pode ser.” “Então tu vai ter que fazer porque eu não sei.Rimos. — Topa?” “Tem pó?” “Tem, sim.” 
          E se eu te disser que sabia fazer café? Sempre soube. Sei lá, só pensei que ela acharia engraçado.                 Funcionou. 
         “Posso pegar gelo?” “Oi?” “Gelo. Posso?” “Claro que pode, mas gelo pra quê?” “Café, uai. Não gosta?” “Não que eu saiba.” “Já provou?” “Sei lá, devo ter provado. Não me parece nada legal.” “Prova aqui.” Ela jogou as pedras de gelo na xícara e estendeu-a pra mim de forma que quase passei a respirar café. “Não, fica tranquila. Pode tomar seu café aí.Ela riu de novo. Puta merda. “Prova logo, estranho.” Ela estendeu a xícara de novo e eu quase que me senti obrigado pela minha própria vontade a engolir aquilo.
        O gosto era horrível. 
        Eu gostei. 
        “E aí?” “Até que é bom, estranha.” “Hm, sei — risos — essa cara aí de quem gostou. Imagina se não tivesse gostado.” Ela se apoiou de costas na pia e eu me apoiei do lado. “E aí, o que tava lendo?” “Eu?” “Obviamente.” “Nada, por quê?” “Vi um livro no chão da sala. Deu vontade de pegar, mas preferi ficar imóvel e te deixar constrangido.” “Hm…Harlan Coben.” “E o livro fala sobre o que?” “Não faço ideia. Li umas frases que juntas formariam meia página, no máximo.
        Ela me encarou por uns segundos e resolveu voltar pra sala. Segurou minha mão e me arrastou até o sofá. A ficha de ela ter me pegado pela mão demorou a cair. O amor da minha então se sentou na minha poltrona e cruzou as pernas numa daquelas posições de borboleta de ginástica. 
        “E aí?” “E aí o quê?” “O que tava fazendo antes de eu chegar?” “Ouvindo música, tomando refrigerante, o de sempre. E você, tava fazendo o que antes de vir pra cá?” “Nada, na verdade. Cochilando.” “Hm…” “Ei, tive uma ideia.” “Diz.” “Me diz as coisas que tu gosta, que eu te digo do que gosto.” “Não dá, tenho vergonha de falar…” “Então escreve.” “O quê?” “Escreve. Não sabe? É fácil. A gente normalmente aprende isso no pré.” 
         Não me segurei, tive que rir. E me senti envergonhado ao mesmo tempo, ela não parava de olhar. Me senti desconfortável e, simultaneamente, realizado. Sei lá, e se ela tivesse gostado de mim? E se a ruivinha dos dedos finos e pés pequenininhos estivesse gostando de mim? Que puta sorte. Eu ainda não tinha entendido qual o entusiasmo, mas não dava pra tirar o sorriso da cara. Era normal, não? Alguém gostar da gente? Costumava ser normal no colegial. No colegial, na faculdade, no trabalho, nas festas. Sempre tinha alguém a fim. 
           Sei que o jeito como ela me olhava me deixava sem reação.
           E o cheiro dela, então? Ela cheirava a lilás e dia chuvoso. Suspirar perto dela dava uma vontade enorme de beijar. 
          Eu tinha vontade de tudo com ela.
          “Então, vamos? Me alcança um pedaço de papel e uma caneta.” “O.k. Vou pegar, espera.” 
          A única coisa parecida que eu achei foi um bloquinho de notas do Batman. O que ela pensaria de um marmanjo de vinte anos de idade que usava um calção desbotado até os joelhos e chinelo havaianas, tinha a barba mal-feita e…gostava de desenho animado?
         Ela achou engraçado. E riu que nunca vi. Ela ficava mais sexy naquela blusinha branca com renda no decote e jeans rasgado que a Angelina Jolie de lingerie. 
         Nunca caprichei tanto na caligrafia. Desenhei cada letra com a maior vontade do mundo de aquilo ficar legal. Mas nunca parei pra pensar nas coisas que gostava. Eu gostava um pouco de tudo. Ficou difícil escolher; coloquei só os mais comuns. Ela me pareceu meio indecisa. Rabiscava e riscava o tempo todo, nunca vi. 
        “Terminou?” “Terminei.” “Beleza. Faz assim: me entrega o teu que eu te entrego o meu, tá?” “Tá. No três” “Tá. 1…2..— ela interrompeu a contagem e puxou o papel da minha mão e jogou o dela em cima de mim — tava demorando muito.” Os dois rimos. Antes de ler o que ela havia escrito, fiquei observando a reação dela ao ler minha lista.
"-Rock e indie rock
-Angelina Jolie
-Biscoitos
-Números pares
-Anabell
-Ruivas + Batman”
          Ela sorriu em silêncio. Me senti aliviado e não consegui conter um sorriso também. Resolvi ler a lista dela. 
“-Desenhos animados 
-Rock e indie rock 
-Chinelos havaianas 
-Guitar Hero 
-Estranhos 
-Batman 
-Anna Julia”
        “Ei!” Sei que era uma proposta meio idiota, mas ela ia gostar. “Diz, estranho.” “Tenho uma coisa pra você, já volto!” “O que é?” “Surpresa.” Ela me olhou feliz. F-E-L-I-Z, com todas as letras. Deu pra ver.
         Um amigo meu uma vez tentou me ensinar a jogar esse tal de Guitar Hero. Odiei. Me estressei. Não tinha coordenação motora suficiente pra isso. Meus dedos nunca pressionavam a tecla certa e eu nunca acertava o tempo. Desisti. Eu tinha lá em casa um “quartinho da bagunça”. Guardava toda e qualquer tranqueira lá dentro. Esse amigo meu acabou deixando o Guitar Hero dele lá em casa e eu, já completamente cansado daquela coisa, joguei lá dentro do quartinho e esqueci que aquilo existia. Muita sorte. Acabei encontrando a “coisa” dentro duma caixa e tava tudo lá certinho. Nada faltando. 
         “Ei?” Ela já tava ficando impaciente, mas tava animada com a “surpresa”. “Achei! — gritei como resposta — tô indo!” Quando cheguei na sala, ela tava balançando a perna daquele jeito que todo mundo faz quando tá ansioso. Me senti importante. Coloquei a caixa no colo dela e pedi que abrisse. Ela gargalhou. Foi lindo.
Não acredito — ela disse, ainda sorrindo. Eu não conseguia parar de olhar. — Sério mesmo?” “Sério — ri. Ela era tão ingênua rindo que parecia uma criança ganhando a primeira bicicleta. — Que tal?” “Tá querendo me conquistar, é?” “Algo me diz que eu já consegui.” “Besta. Nem chegou perto.”
         Preciso confessar uma coisa. Nunca amei tanto a sensação de ingenuidade. Eu era tão ingênuo perto dela que cheguei a achar que fosse uma pessoa apaixonável.
        Conectei os cabos à tevê e depois de dez minutos tentando encontrar o menu, decidi que a melhor coisa a fazer era esquecer a cultura do cavalheirismo e pedir que ela arrumasse aquela coisa.
        “É assim mesmo? Tem certeza?” “É, sim. Deixa eu arrumar. Sei o que tô fazendo.
        Sei que que ela sabia. Depois de algum tempo percebi que ela sempre sabia. Sabia que me torturava quando sorria pra mim, sabia que o jeito como caminhava, se vestia e até como se mexia despertavam em mim aquela coisa ridícula de amor platônico. Aquilo de achar que tudo que o outro faz é uma pista ou um sinal. E o melhor de tudo? Era. Uns anos depois eu descobri que até a caligrafia dos bilhetinhos que ela grudava na geladeira era de propósito. Ela conseguia colocar um pouco da sensualidade ingênua dela em casa coisa.
       “Tá. Faz aí.” “Pronto, senta aí.” Me sentei no sofá maior e ela sentou do meu lado de forma que as nossas pernas e os braços ficaram grudados. Preferi pensar que foi de propósito. “Antes de começar — eu juro que tava curioso — posso perguntar uma coisa?” “Claro que pode.” “Quem é Anna Julia?
        Ela riu. E dessa vez ela riu de mim. Mas não num tom de deboche, ela não era desse tipo. Ela riu num jeito de quem tava adorando tudo aquilo. Ela riu num jeito de que tava apaixonada pela forma como eu era ingênuo perto dela.
         “É uma música.” “Uma música?” “É, uai. Nunca ouviu? Todo mundo já ouviu.” “Ouvi, não.” “Claro que ouviu… Nunca acreditei na ilusão, de ter você pra mim… ela começou a cantarolarme atormenta a previsão do nosso destino; eu passando o dia a te esperar; você sem me notar…quando tudo tiver fim, você vai estar com um caraaaaaaa, um alguém sem carinhooooooo, será sempre um espinhooooo, dentro do meu coooo-raaaaaaa-çãaaaaaao — ela deu uma pausa e me encarou nesse meio tempo. Mas dessa vez me olhou mais que dentro dos olhos. Ela me viu. — ô Anna Juliaaaaaaaaaaaaaaaaa — ela levantou num pulo e usou a mão como um microfone pra cantar o refrão. 
         Acho que nunca ri tanto. Doía tudo; pernas, estômago, bochechas. Eu quase soube o que significava “morrer de rir”. Ela terminou a performance e eu bati palmas, ainda rindo. Ela gargalhava de perder o ar e eu juro que achei a coisa mais linda quando ela roncou no meio da risada. Ela ria tanto que mal conseguia se manter de pé. Veio tropeçando, se sentou no braço do sofá e foi descendo de costas até cair com a cabeça no meu colo. Ela fechou os olhos e apoiou a mão nas costelas, respirando devagar. 
        Pensei, por um segundo, em beijar a testa dela. Sei lá, me deu uma vontade enorme. Mas ela acabou abrindo os olhos e levantando antes de eu criar coragem. Ela se sentou de novo e segurou meu pulso, procurando por um relógio. 
        “São 18:25.” Sei que é meio esquisito, mas me senti feliz por ela ter ficado desapontada. “E daí?” “Tenho que levar o Brutus no parque.” “Ah…Tudo bem.” “Mesmo?” “Mesmo.” Ela se levantou, calçou os chinelos e foi em direção à porta. Me apressei em levantar a abrir a porta pra ela. “Senhorita.” Fiz reverência e ela correspondeu “Cavalheiro.” Ela saiu e eu não resisti. “Ei!” “Oi?” “O Guitar Hero fica pra amanhã?” “Claro!” “E mais uma coisa…” “Pode dizer.” “Não te deixo sair até confessar que está apaixonada por mim.
         Aí o amor da minha vida riu e subiu as escadas. 
         Eu não gostava de café com gelo, Guitar Hero ou Anna Julia, juro. Aí eu comecei a gostar de números pares.

                                                                                                      Ana Luísa K.



Com o coração não se brinca, moço. 
Porque até onde eu sei (e me ensinaram) 
sentimento é coisa séria.

Bibiana Benites


Preciso urgente me mudar....
 pra uma casa com ateliê, 
estúdio de música
estúdio de dança 
e teatro,
 uma parede branca que eu possa rabiscar e pintar de novo de branco e rabiscar novamente.
 Preciso de uma casa toda com isolamento acústico
varas de iluminação e cenário.
Uma casa onde comporte meus sonhos e daqueles que caminham comigo.
Preciso de uma casa onde não há julgamentos
Uma casa onde utopia é uma palavra que não exista no dicionário,
 ou se existir, 
que tenha outra definição:
 "realizável".
 Enquanto esta casa não existe a palavra utopia mantém seu significado e eu fico aqui sonhando... 
e sonhando... 
e sonhando...

Bruno Lang

domingo, maio 13, 2012


Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Emoção é um tango que ainda não foi feito. 
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra. 
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. 
Não.
 Amor é um exagero... 
Também não. 
É um "desadoro"... Uma batelada
Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido, 
talvez porque não houvesse explicação, 
esse negócio de amor não sei explicar...

Adriana Falcão

sexta-feira, maio 11, 2012



Sou uma mulher madura,
                                               que as vezes brinca de balanço
Sou uma criança insegura
                                               que as vezes anda de salto alto.

Martha Medeiros


Escrevo para não me afogar nos sonhos e nos sentimentos que transbordam da alma e enchem o coração. Escrevo para encurtar distâncias, abraçar com palavras e adoçar o verbo viver.

Karla Tabalipa

quinta-feira, maio 10, 2012



Tem coisa que dá vontade de viver de novo.
E de novo. 
E de novo.


Clarissa Corrêa.

quarta-feira, maio 09, 2012



Quando estamos sozinhos, somos pela metade.
Quando somos dois, somos um.
Quando deixamos de ser um dos dois
não somos nem a metade que começamos a história. 

Carpinejar



Estava cada vez mais doce. 
Ela era contrária.
 Todos tão amargos, e ela tão doce. 
Ela teimava em ser diferente, 
e ela era.

Duda Medeiros.

_O que você faria se você e todo mundo acreditassem que o mundo ia acabar hoje à meia noite?
_Transaria contigo o resto do dia.
_Ok, eu sei que sou boa de cama, mas tô falando sério porra, você nem parou pra pensar. É isso o que faria?
_Absolutamente.
_E as despedidas? E pra onde a gente vai? Você não se pergunta pra onde a gente vai? Você não tem medo da morte?
_Letícia, no que a morte pode ser mais assustadora que a vida?
_Então você admite que tem medo da vida?
_Não, não tenho. - silêncio - Talvez um pouco… Da vida sem você.
_Não fala isso que me sufoca.
_Outras mulheres ficariam felizes ao ouvir isso.
_Transe no apocalipse com outras mulheres.
_Maybe.
_Idiota.
_Nem é tão absurdo assim Letícia, as paredes caindo, os gritos ao longe, o fogo pela janela, invadindo as salas, queimando os livros, gente chorando pelo que não foi, cientistas retardados tentando impedir, eu beijando teu pescoço, você arranhando minhas costas e gemendo no meu ouvido. Daria uma boa cena de filme… admita. Além do mais qual o grande problema no fim do mundo?
_É só que… não tem nada que você lamentaria não ter feito? Não ter vivido?
_Se lamentar serve pra que? Eu sou exatamente quem eu quero ser.
_Então é isso? Morreria fazendo sexo?
_Sim. E por cima.
_O mundo acabando e você se importando com a posição, é isso mesmo?
_Só queria te proteger de alguma forma, até o fim.
_Morreríamos de qualquer forma, juntos ou não. Morreremos.
_Prefiro entrar no inferno de mão dadas contigo.
_Quantos livros de poesia você leu?
_O suficiente pra saber que você tá cedendo…
_Livros mentem…
_Teus olhos não.

Clara D
Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade.
Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua. 
Acho que o amor, quando é amor, tem suas dores bonitas
A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. 
Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua. 
A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala.
 Falta equilíbrio, sobra experiência. 
Falta a juventude, sobra história para contar
Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos.
 Envelhecer não é feio.
 Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro.
De si.
Do outro
Do amor.

Clarissa Corrêa



Vou te dizer o que sinto:
 sabe o que é você dormir pensando em alguém 
e acordar com esse mesmo alguém na sua cabeça?

Caio Fernando Abreu

terça-feira, maio 08, 2012



O meu amor por você vai muito mais além do que qualquer desejo carnal.

Larissa Gentil


And if you want it, you got it forever
I could just stay here beside you and love you, baby

Música Cruisin' - Gwyneth Paltrow

segunda-feira, maio 07, 2012



Amor a gente não procura. 
É assim: você deixa a porta meio aberta, 
se distrai plantando girassóis 
e ele entra.
 Ele adora contrariar.

Gabito Nunes


Lembrar com amor é oferecer, 
no coração
um sorriso que se expande. 
É um jeito instantâneo e poderoso de prece. 
É um modo de abraço,
 não importa o aparente tamanho da distância,
 nem as enganosas cercas do tempo. 
Lembrar com amor é levar a vida, no exato instante da lembrança,
 ao lugar onde a outra vida está e plantar uma nova muda de ternura por lá.

Ana Jácomo

domingo, maio 06, 2012




Eu também sou vítima
de sonhos adiados,
de esperanças dilaceradas,
mas, apesar disso,
eu ainda tenho um sonho
porque a gente não pode 
desistir da vida.

Martin Luther King

sexta-feira, maio 04, 2012

quinta-feira, maio 03, 2012



A vida fica muito mais fácil se a gente sabe onde estão os beijos de que precisamos!

Mário Quintana

quarta-feira, maio 02, 2012


 


— É pecado sonhar?
— Não, Capitu. Nunca foi.
— Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
— Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.

Machado de Assis - Dom Casmurro



Eu amo as pessoas que me fazem rir.
 Sinceramente,
acho que é a coisa que eu mais gosto,
 rir.
 Cura uma infinidade de males. 
É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa.

Audrey Hepburn



Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.

Martha Medeiros



Quantas chances de viver loucuras memoráveis a gente desperdiça com essa mania besta de pensar?

Gabito Nunes