Guardei na gaveta aquela fotografia em que você estava de boné,
parecia um garoto, me agarrando pela cintura.
Guardei todas.
Aquela outra, nós dois, eu de novo enlaçada por você.
E uma de você sozinho, um flagrante, você não percebeu, bati a foto enquanto você lia o jornal, tão lindo, você era tão lindo, você ainda é o mesmo homem depois de ontem, o mesmo homem sem mim?
Eu me olho no espelho e não me enxergo, não sou mais a mesma, perdi a identidade.
Tirar suas fotos de vista me pareceu uma providência curativa,
agora você não o verá mais, querida, vai esquecê-lo mais rápido,
como somos inocentes.
E eu lá quero esquecê-lo?
Sua presença ainda está tão quente dentro desse apartamento,
o colchão ainda está meio afundado do lado em que você dormia.
Martha Medeiros
Martha Medeiros

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