"E, quando quiseres, podes vir colher sorrisos dentro do quintal da minha alma."
Caio Fernando Abreu

sexta-feira, agosto 19, 2011

Guardei na gaveta aquela fotografia em que você estava de boné, 
parecia um garoto, me agarrando pela cintura. 
Guardei todas.
Aquela outra, nós dois, eu de novo enlaçada por você.
E uma de você sozinho, um flagrante, você não percebeu, bati a foto enquanto você lia o jornal, tão lindo, você era tão lindo, você ainda é o mesmo homem depois de ontem, o mesmo homem sem mim? 
Eu me olho no espelho e não me enxergo, não sou mais a mesma, perdi a identidade. 
Tirar suas fotos de vista me pareceu uma providência curativa, 
agora você não o verá mais, querida, vai esquecê-lo mais rápido
como somos inocentes. 
E eu lá quero esquecê-lo? 
Sua presença ainda está tão quente dentro desse apartamento, 
o colchão ainda está meio afundado do lado em que você dormia.

Martha Medeiros

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